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AMDEP lança a campanha nacional “Racismo se combate em todo lugar” durante homenagem às mães catadoras da ASMATS

Avatar de Amdep Por: Amdep

Publicado em 16/05/2021


AMDEP lança a campanha nacional “Racismo se combate em todo lugar” durante homenagem às mães catadoras da ASMATS

A Associação Mato-grossense das Defensoras e Defensores Públicos (AMDEP) apresentou a campanha nacional “Racismo se combate em todo lugar”, em parceria com a Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (ANADEP), no último dia 7 de maio, durante uma homenagem muito especial às mães catadoras, mulheres trabalhadoras que tiram do ‘lixo’ o sustento da família e criam seus filhos.

O evento aconteceu na tarde do Dia das Mães, de forma restrita, sem aglomeração e dentro das indicações de biossegurança contra a covid-19, com uso de máscara e álcool gel, na Associação de catadores de Material Reciclável e Reutilizável Mato Grosso Sustentável (ASMATS), em Várzea Grande.

Contou com a presença das Defensoras Cleide Regina Ribeiro, da Vara da Infância e Juventude de Várzea Grande, Tânia Matos, que atua no Núcleo Criminal de Segunda Instância, em Cuiabá, além do Presidente da AMDEP, João Paulo Carvalho Dias, o Ouvidor-Geral da Defensoria Pública, Cristiano Nogueira Peres Preza, da Guarda Municipal de Várzea Grande e das mães catadoras que foram homenageadas e trocaram experiências com relatos de preconceito e racismo.

Dr. João Paulo falou da importância de lançar a campanha – “Racismo se combate em todo lugar” - no dia das mães e em uma associação de reciclagem, composta por mulheres que sentem o racismo e o preconceito diariamente, ao mesmo tempo em que trabalham pela sustentabilidade à favor da sociedade e causam transformação, renovação e conscientização da mais diversas formas.

“É muito importante o lançamento desta campanha aqui, nada melhor na reciclagem, na transformação, na reinvenção da dignidade, quando tantos descartam e são vítimas do capitalismo que mata, as mulheres catadoras reciclam amor, o poder do renascimento. A reciclagem tem o poder de fazer renascer sonhos e armar esses trabalhadores na luta contra o preconceito e o Racismo”, discursou o presidente da Amdep.

João Paulo explicou que a campanha nacional, que terá duração de um ano, irá fazer reflexões, levantar bandeiras e lutar sobre questões afrodescendentes, indígena, quilombolas, migrantes e imigrantes, que tanto contribuíram para a formação da identidade do nosso país, porém, que carregam o peso da discriminação.

“A Defensoria é isso, é ir aonde ninguém vai, é estar nos guetos, vielas, favelas. A alegria é nossa, a satisfação é nossa e a missão é nossa”, disse João Paulo.

A Guarda Municipal marcou presença de uma forma bem diferente e contribuiu muito com um teatro de fantoches debatendo sobre o racismo e abordando o tema de mobilização mundial “vidas negras importam”, conscientizando sobre racismo e bullying sofrido, principalmente, por crianças negras, seja por meio de atos violentos de forma física ou verbais.

A Presidente da ASMATS, Cidinha, mulher negra, fez um relato importante sobre um dos episódios de racismo vivido por ela e por sua família. Ela relatou que tem duas filhas morenas, porém, de uma cor não considerada ‘negra’ pela sociedade. Uma das filhas se casou com um homem branco, no entanto a filha do casal nasceu com um tom de pele mais escuro. Por bastante tempo esse fato foi meio de desconfiança e ‘piadas sem graça’, questionando se a mãe ‘não teria pulado a cerca’, ou se a criança era adotiva.

O racismo enraizado está entranhado até mesmo nos amigos. Cidinha contou o caso de uma reunião em família, onde um amigo do genro estava participando e após conhecer Cidinha esboçou admiração e falou: “Agora eu entendi, a menina é sua filha mesmo, sua sogra é moreninha”. Cidinha respondeu ao comentário preconceituoso: “Eu não sou moreninha não, eu sou negra”.

João Paulo encerrou o lançamento fazendo um relato pessoal sobre a experiência de racismo vivido em uma época que teve um companheiro negro, quando as pessoas imaginavam que “aquele homem” poderia ser amigo, segurança, ou outra coisa, do defensor, menos o real papel dele de parceiro de vida.

O presidente da Amdep encerrou o evento declamando o poema “Sorriso Negro”, de Adilson Reis Dos Santos / Jair Carvalho / Jorge Philomeno Ribeiro, que ilustra a cartilha de divulgação da campanha.

“Um sorriso negro, um abraço negro traz felicidade. Negro sem emprego fica sem sossego e negro é a raiz da liberdade. Negro é uma cor de respeito, negro é inspiração, negro é silêncio, é luto, negro é a solidão. Negro que já foi escravo, negro é a voz da verdade, negro é destino, é amor, negro também é saudade”.

 

 

 


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