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A arte de fazer guitarras, música e gerar esperança

Avatar de Amdep Por: Amdep

Publicado em 04/10/2021


A arte de fazer guitarras, música e gerar esperança

A música é parte essencial da vida humana. Dizer que o ser humano é musical é mera redundância. E o que seria da música sem os instrumentos? É certo que a música existe sem instrumentos. Mas são estes que a projetam e “vestem” as canções de sonoridades originais e genialidade, de esplendor, grandiosidade, glamour, sofisticação, elegância, harmonia e lhe confere tons de sublimidade. Dada a importância da música na vida individual e coletiva da humanidade é lícito supor que, a criação e fabricação de instrumentos musicais talvez tenha sido as primeiras manufaturas feitas pelo homem.

O defensor público Érico da Silveira, que atua na 5ª Defensoria Pública do Núcleo de Barra do Garças/MT, é um apaixonado pela música desde a adolescência. E por consequência, há alguns anos, descobriu-se um apaixonado também pela fabricação de um dos mais queridos e encantadores instrumentos: a guitarra elétrica.

Nascido em Coromandel, Minas Gerais, Érico descobriu o rock’n roll nos anos 90. Os solos de guitarra de Kurt Cobain, do Nirvana, de Saul “Slash” Hudson, do Guns N' Roses alimentaram sua paixão pelas guitarras.

O contato com as guitarras como músico amador levou o defensor público a se interessar pelo processo de fabricação do instrumento. O passo seguinte foi aprender a arte da luteria. “Em 2019, vi na internet o anúncio da luteria Eco Guitar na cidade de São Paulo, que oferecia um curso intensivo de fabricação de guitarra com uma pegada ecológica, com reaproveitamento de madeira de demolição. Então, em janeiro de 2020, antes da pandemia, decidi fazer o curso”, conta Érico.

Durante o curso, ele aprendeu as técnicas de fabricação de guitarras, desde a seleção da madeira, os diferentes designers das principais marcas do mercado, os seus componentes e acessórios, os tipos e finalidades de cada ferramenta, máquinas e produtos de acabamentos utilizados para produzir uma guitarra funcional e de boa qualidade.

Em um pequeno ateliê montado em sua casa – que ele chama de “mini-oficina” – o defensor mergulhou no desafio de fazer sozinho uma guitarra.  Ele explica que, no início, “apanhou” para superar as dificuldades. “Fabricar uma guitarra artesanalmente é mais difícil do que podia imaginar. O instrumento exige um alto grau de precisão na execução de cada etapa e detalhe. Um pequeno erro, põe tudo a perder. Demorei seis meses para fazer minha primeira guitarra. E olha que usei um modelo Fender Telecaster, que é clássico”, revelou Érico.

Trabalhando nas horas livres, fins de semana e, as vezes, a noite, Érico da Silveira afirma que a atividade é um hobby que veio para ficar. “É muito prazeroso. Quando estou envolvido com a luteria, a última coisa que penso é na rotina do trabalho de defensor público. Eu atuo na área criminal que é muito desgastante, tem casos muito complicados que exigem muito estudo e atenção. Então, quando estou trabalhando na construção de uma guitarra, eu relaxo dessa parte da minha vida. O único estresse que sinto é o da adrenalina de executar com precisão e técnica cada passo da produção do instrumento”, afirma.

A primeira guitarra que fabricou, Érico diz que já tem dono: o filho de um amigo e colega da defensoria pública. “Estou planejando fazer uma para mim mesmo. Talvez arrisque mais no designer e faça um modelo exclusivo. Estou ganhando confiança para isso”, adianta ele.

O defensor público admite que ainda precisa aprender mais sobre materiais, madeiras, componentes e sobre o designer das guitarras. “Minhas habilidades no uso das ferramentas e maquinário de carpintaria também precisam ser refinadas. Mas eu chego lá”, diz ele, confiante.

Para o futuro, Érico diz que tem um sonho e uma esperança: criar um projeto socioeducativo que ensine a arte da marcenaria e da luteria para os reeducandos do sistema prisional em Mato Grosso. “É uma forma de compartilhar esperança, música e oportunidades. As profissões de marceneiro e de luthier são áreas promissoras e que sempre tem demanda por bons profissionais. A luteria, por exemplo, tem excelente mercado no país e até no exterior. Pode ser uma porta para a reinserção social de egressos do sistema prisional. Mas, isso é algo que não dependerá só de mim, então, vou amadurecer mais a ideia”, conclui.  

 

 


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